quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Universidade: Escola de Transformação



Universidade: Escola de Transformação



A Universidade é uma instituição multissecular que, desde sua fundação, tem por princípio a Liberdade e a busca do Conhecimento. “Ela carrega a herança do passado, suas tradições e conhecimentos, e os lança ao futuro” (António Nóvoa). Cumpre, ainda, um papel social muito importante, com a produção de conhecimentos, pesquisas e inovações nos mais variados campos, auxiliando no progresso e desenvolvimento da sociedade.
Sua história é bem antiga, remontando à Suméria, Grécia e Índia onde se deram as primeiras fundações com o objetivo de aprofundar o Conhecimento e formar os jovens para a vidas ocial e profissional. No Mundo Árabe houve, também, uma grande difusão do Ensino Superior, com a fundação de centros acadêmicos na Tunísia, Marrocos, Egito e Iraque, geralmente ligadas a importantes cidades e grandes Mesquitas.
O início oficial da Universidade Moderna se dá nos séculos XI e XII com a criação da Universidade de Bolonha, e posteriormente a de Paris, Oxford, Cambridge e outras. As universidades medievais originaram-se dos Colégios Episcopais e Mosteiros, que se destacavam, marcando sua estreita relação inicial com a Igreja Católica, que as dirigia e orientava seu ensino. A formação escolástica se iniciava por dois ciclos acadêmicos chamados e Trívium e Quadrívium, que abarcavam matérias como Retórica, Gramática, Lógica, Música e Astronomia, habilitando os alunos ao estudo das Artes Liberais ou das especialidades: Medicina e Direito. Em poucos séculos o ensino universitário se espalhou pela Europa, possibilitando que os estudantes (principalmente os eclesiásticos) prosseguissem seus estudos em seus próprios países. Essa foi uma das motivações de criação da Universidade de Coimbra, solicitada ao Papa, pelo Rei e pelo Clero, a fim de que os jovens portugueses não precisassem enfrentar longas e perigosas viagens até Paris e outros centros famosos.
No Renascimento houve uma inserção progressiva da ciência experimental no ensino universitário e o desenvolvimento do Humanismo literário e artístico. Houveram,  também, grandes avanços na Física, Química e Biologia, principalmente nos séculos XVII e XVIII. Esse período marcou ainda o início da ostensiva intervenção do Estado na Universidade, principalmente na Alemanha e na França (dirigida, esta, por Napoleão que influenciou profundamente o ensino e a organização educacional francesa, orientando-a para a profissionalização e a técnica).
Esse período também é significativo para o Brasil visto que, após séculos de atraso educacional e da controversa Reforma Pombalina se iniciam as primeiras instituições de ensino superior em nossas terras. A princípio são criados o Colégio Médico-cirúrgico da Bahia (1808) e a Academia Real Militar da Corte (Escola Politécnica) (1810), no Rio de Janeiro. Porém as primeiras universidades, propriamente ditas, só surgem no século XX, com a USP, a Universidade de Manaus, a Universidade Federal de Lavras, entre outras. Diferentemente do Brasil, o ensino superior já era uma realidade nas colônias hispânicas e inglesas, desde seus primórdios, o que permitiu grande desenvolvimento científico e intelectual a esses países.
No mundo moderno, a Universidade está estreitamente ligada à sociedade, à economia e particularmente ao meio militar, industrial e comercial. É, também, uma fonte de Poder, visto que “todo o saber eficaz é, ao mesmo tempo, Poder” (Ladrière). Ela está inserida em plena era da Tecnologia e da Informação, precisando estar disposta a oferecer um retorno satisfatório à sociedade que nela põe suas expectativas.
No ínterim da entrevista do Reitor da Universidade de Lisboa, António Nóvoa, ao professor Naomar de Almeida Filho foi discutido como a Universidade Federal do Sul da Bahia pode e deve agir para tornar-se uma instituição plena e capaz de atender às necessidades da sociedade contemporânea. Segundo Nóvoa, a Universidade deve respeitar as particularidades e diversidades regionais, porém não pode fechar-se num restritivismo local. Deve abrir-se ao Mundo, “ter Mundo”, ter Cultura, ter Conhecimento, ter Ciência, ter Relação com os outros, “ter Viagem” (Michel Serres). O reitor lusitano orientou, ainda,  para que os Colégios Universitários não se tornem escolas (no sentido mais pobre do termo), mas se tornem centros de Conhecimento, centros de Ciência, que deem o mundo a seus alunos.
No que discorre à história e organização das Universidades, a professora Andréa Lizabeth enviou-nos alguns textos de autores como: Marilena Chauí, Boaventura de Sousa Santos e Naomar de Almeida Filho, entre outros, para que pudéssemos fundamentar nossa pesquisa e preparar uma aula expositiva sobre a história das Universidades e a UFSB, nas turmas de 3º Ano e EJA do Centro Educacional Professor Rômulo Galvão (CEPROG). Para a realização do trabalho, tivemos uma aula disponível, bem como outros encontros em sala e por Email.
No decurso de nossa aula, além da exposição oral, apresentamos um mural de imagens (referentes aos diversos momentos históricos da Universidade), bem como uma dinâmica (para despertar nos alunos o interesse pelo prosseguimento nos estudos). Concluso o trabalho, consideramos que os objetivos do trabalho foram alcançados e tivemos um desempenho satisfatório, apesar de algumas dificuldades, como o desinteresse de alguns alunos e a dispersão. Porém, o que nos motivava era o interesse dos demais, que estiveram bem atentos a tudo e nos procuraram ao final para contar suas expectativas.
Por fim, retomar o valor da instituição universitária para a sociedade é importante para manifestar seu auxílio no desenvolvimento de um mundo melhor. Devemos usar todo o nosso conhecimento para o bem comum e assim possibilitarmos uma vida melhor para a sociedade. Concluo com uma frase muito salutar de Frederico Mayor, Diretor Geral da UNESCO: “O conhecimento é o poder, mas o poder de criar, de prever e de evitar. Aplicar este conhecimento para o bem da humanidade é a Sabedoria. Conhecimento e sabedoria são as duas garantias de um futuro comum melhor”.

Fernando Silva Campos




terça-feira, 11 de agosto de 2015

Anísio Teixeira: o mestre da arte de fazer

 

Anísio Teixeira: o Mestre da arte de Fazer

Comentários ao documentário "Educação não é privilégio"

Anísio Teixeira foi um dos mais importantes pensadores e educadores de nosso país. Sua gestão, frente a diversas Secretarias, Ministérios e Reitorias marcou a educação pública brasileira, levando-a a um novo estágio de desenvolvimento.
Nascido em Caetité, Bahia, no ano de 1900, iniciou seus estudos com os padres Jesuítas, adquirindo uma base de formação bastante católica, a ponto de desejar tornar-se padre. Seguiu para o Rio de Janeiro, onde cursou a faculdade de Direito, retornando à Bahia, na condição de responsável pela educação no Estado. Apaixona-se por essa área, a ponto de ir para os Estados Unidos especializar-se no Teacher College, da Universidade de Colúmbia.  Lá, estudou com o teórico da Educação Jhon Dewey, e foi colega de personalidades como Monteiro Lobato e Gilberto Freire.
De volta ao Brasil, e após um período lecionando Filosofia e História em Salvador, é chamado ao Rio de Janeiro para fazer uma reforma na educação na Capital Federal (da época). Lá, junta-se ao movimento da Escola Nova e assina o Manifesto dos Pioneiros, pela educação, ajudando, também, a criar a Universidade do Distrito Federal (que posteriormente é suprimida). Após período de exílio no interior da Bahia, durante o governo Vargas, é convidado a ser secretário de Educação da Bahia. Sob sua gestão é organizada, entre outras iniciativas, a Escola Parque (Centro Educacional Carneiro Riberio), um projeto ambicioso no cenário educacional brasileiro, onde a educação se fazia unida à prática.

Retornou para o Rio, na condição de Ministro da Educação, iniciando uma série de reformas na formação brasileira, com o objetivo de garantir a todos o direito a uma educação pública, gratuita e laica. Porém, suas ações não ficaram sem contrariedades, como na situação de divergência com os  Bispos gaúchos, dirigidos pelo Arcebispo de Porto Alegre, Cardeal Dom Vicente Scherer, que defendiam o ensino privado e religioso e se opunham às ideias do Ministro. Anísio, nessa época, é nomeado reitor da Universidade de Brasília. Porém, devido ao golpe militar, tem que exilar-se novamente, dessa vez nos EUA, onde atua como professor visitante em importantes universidades, como a de Colúmbia, Nova York e Califórnia. Terminado o regime, retorna ao país, ligado dessa vez à escrita e à acessoria, produzindo importantes obras para o ensino e a pesquisa educacional. Antes, porém de coroar seu trabalho, ao ser indicado para a Academia Brasileira de Letras, é encontrado misteriosamente morto num elevador. Porém, seu legado, imortal, ficou como uma grande tesouro para o Conhecimento em nosso país e no mundo.
Anísio Teixeira foi um pensador pragmático, que dava muita importância ao ensino prático- “aprender a fazer”, por meio da experimentação e da ação concreta. Uma obra que é reflexo de seu ideal é a Escola Parque de Salvador, onde era dado grande enfoque à qualidade do ensino e que este tivesse reflexo na vida concreta dos estudantes. Foi um grande defensor da reforma e universalização da educação, fazendo com que esta deixasse de ser um privilégio de poucos e passasse a ser um direito de todos. Compreendia que é preciso “aprender a aprender”, para daí, poder ensinar. Defendia que a escola deve ser uma máquina de Democracia e receber a devida atenção do Estado e da sociedade.
Devido ao descompasso de qualidade ocorrido com ampliação dos sistema educacional público, é preciso que se dê um novo incentivo à escola, como lugar de formação da sociedade e do país, garantindo sua adequada manutenção e de seus professores. Somente assim o Brasil poderá se tornar, verdadeiramente, uma Pátria Educadora, onde todos tenham direito ao bem precioso da Educação.
Fernando Silva Campos


sexta-feira, 10 de julho de 2015

A educação como um instrumento de transformção



 A EDUCAÇÃO COMO UM INSTRUMENTO DE TRANSFORMAÇÃO

 





Estudar Paulo Freire é mergulhar no mundo de um brasileiro que viveu e pensou “à frente de seu tempo”. Um homem que, percebendo a realidade do povo, introduziu o Excluído na história e deu voz e vez ao conhecimento popular.
O livro “Pedagogia da Autonomia” e o documentário “Paulo Freire contemporâneo” apresentam um panorama da vida e pensamento desse filho do Nordeste, nascido em 1921, em Recife-Pernambuco. Nas obras, é possível fazer uma viagem pelo universo conceitual do autor, partindo de seu pensamento pedagógico até as aplicações concretas do seu ideal na prática escolar e social.
No pensamento freiriano, ensinar é uma prática que exige um compromisso total do docente. Não se trata apenas de transferir conhecimento ou induzir o discente a decorar conteúdos, mas em torná-lo protagonista da sua própria formação, valorizando seus saberes, sua capacidade e dignidade. É um ato ético, que entendendo o ser humano como um ser capaz e livre lhe atribui a responsabilidade por seus atos.
O homem (entendendo-se homem e mulher), apesar de condicionado pelas diversas circunstâncias da vida, não é um ser determinado, possuindo ,em si, a capacidade de “ser mais” e de mudar sua realidade. Ele não é mero fruto da História, mas, nela se localizando, torna-se sujeito atuante de seu próprio desenvolvimento e o dos outros. Por isso, o discente precisa ser entendido como sujeito do seu próprio aprendizado, capaz de construir, desconstruir e gerar um conhecimento crítico e consistente.
O ato de ensinar exige do educador rigorosidade e criticidade de pensamento, empenho na pesquisa e disposição em estar aberto ao novo, aprendendo ao ensinar e acolhendo o que o estudante lhe ensina em seu aprendizado. É importante, ainda, que o professor possa aproximar-se do mundo do aluno com ética e respeito, a fim de reconhecer sua cultura e todo o conhecimento de mundo que este possui, conhecimento este que precede ao conhecimento da palavra a ser institucionalizada em sala de aula. Cabe ao discente  buscar a competência e segurança necessárias ao exercício do seu magistério, reconhecendo o papel que possui na sociedade e a dimensão política e ideológica de sua função.
Como seres humanos, somos seres inconclusos e a consciência dessa inconclusão é o que nos leva a buscar ir além. Cabe-nos entender que se somos capazes de ensinar é porque nos reconhecemos necessitados de aprender, fato que requer de nós humildade, escuta e diálogo.
No documentário, temos contato, de modo sistemático, com a antropologia e teoria do conhecimento freirianas. Pensando sobre o homem, Paulo  Freire compreende-o como ser curioso e inacabado, incompleto e inconcluso. Um ser de ligação com o mundo e com o outro, numa contínua evolução e transformação. Seu sistema gnosiológico inicia-se pela leitura do mundo, seguida pela tematização das palavras que compõem o universo lexical do alfabetizando, culminando com a problematização da realidade em que este está inserido.
O modelo pedagógico freiriano pode ser aplicado em diversas áreas do conhecimento como: nos círculos de cultura (projeto inovador de alfabetização iniciado no Rio grande do Norte) ,na escola (com propostas de inclusão social, projetos de valorização da cultura e da realidade do estudante), na saúde (com o estudo de casos práticos) ou na ecologia (vida sustentável), entre outros.
Cabe a nós, futuros profissionais, das mais diversas áreas, aproximarmo-nos de pensadores como Paulo Freire, buscando meios que nos ajudem a transformar o mundo em que vivemos, “que é horrível”, numa realidade melhor e portadora de uma esperança viva e transformadora (citando Jean Paul Sartre).

Fernando Silva campos

sábado, 13 de junho de 2015

Uma vida no lixo


Uma vida no lixo


Comentário à aula 1





Na primeira aula tivemos a oportunidade de assistir a dois documentários (“Ilha das flores” e “Boca de lixo”) e ler o texto “Vista cansada” de Otto Lara Resende. Esse conteúdo nos apresenta uma triste visão da realidade humana. Os documentários não tratam apenas de lixo, mas da relação do homem com o lixo, como aquele o produz e, ao mesmo tempo, a este sobrevive.
A começar pelo texto de Otto Resende, é possível perceber como as coisas do dia a dia passam despercebidas. O lugar onde vivemos, as pessoas ao redor e, especialmente, os marginalizados da sociedade. O Outro acaba tendo pouco valor: o que ele sente, pensa, acredita, deseja, simplesmente não nos diz nada.
Os documentários apresentam perspectivas que de algum modo se ligam. No primeiro, o homem é apresentado como uma máquina (telencéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor) que produz o lixo e é destruído por ele. O segundo mostra homens e mulheres que sobrevivem ao lixo e reconstroem um pouco do que é ser humano: pelo trabalho (que lhes resgata a dignidade), suas famílias, a música etc. Estão subjugados a uma estrutura de poder que se sustenta no lixo mas, apesar disso, conseguem sobreviver.
Numa perspectiva de saúde, muitos são os problemas que podem ser adquiridos nesses lugares como: intoxicação alimentar, doenças infectocontagiosas, bactérias altamente nocivas, contaminação por lixo hospitalar, inalação dos miasmas (gases exalados), exposição excessiva ao sol e fumaça, entre muitos outros.
O conteúdo apresentado é um forte apelo para que essa situação não continue mais. Entre outras medidas, pode-se propor a construção de aterros sanitários adequados, coleta seletiva eficiente, formação de cooperativas de catadores e, principalmente, a conscientização da população em produzir menos lixo e descartá-lo em local apropriado. Assim poderemos esperar melhores condições para quem depende desse trabalho e um menor impacto sobre o meio ambiente.

Fernando Silva Campos