terça-feira, 11 de agosto de 2015

Anísio Teixeira: o mestre da arte de fazer

 

Anísio Teixeira: o Mestre da arte de Fazer

Comentários ao documentário "Educação não é privilégio"

Anísio Teixeira foi um dos mais importantes pensadores e educadores de nosso país. Sua gestão, frente a diversas Secretarias, Ministérios e Reitorias marcou a educação pública brasileira, levando-a a um novo estágio de desenvolvimento.
Nascido em Caetité, Bahia, no ano de 1900, iniciou seus estudos com os padres Jesuítas, adquirindo uma base de formação bastante católica, a ponto de desejar tornar-se padre. Seguiu para o Rio de Janeiro, onde cursou a faculdade de Direito, retornando à Bahia, na condição de responsável pela educação no Estado. Apaixona-se por essa área, a ponto de ir para os Estados Unidos especializar-se no Teacher College, da Universidade de Colúmbia.  Lá, estudou com o teórico da Educação Jhon Dewey, e foi colega de personalidades como Monteiro Lobato e Gilberto Freire.
De volta ao Brasil, e após um período lecionando Filosofia e História em Salvador, é chamado ao Rio de Janeiro para fazer uma reforma na educação na Capital Federal (da época). Lá, junta-se ao movimento da Escola Nova e assina o Manifesto dos Pioneiros, pela educação, ajudando, também, a criar a Universidade do Distrito Federal (que posteriormente é suprimida). Após período de exílio no interior da Bahia, durante o governo Vargas, é convidado a ser secretário de Educação da Bahia. Sob sua gestão é organizada, entre outras iniciativas, a Escola Parque (Centro Educacional Carneiro Riberio), um projeto ambicioso no cenário educacional brasileiro, onde a educação se fazia unida à prática.

Retornou para o Rio, na condição de Ministro da Educação, iniciando uma série de reformas na formação brasileira, com o objetivo de garantir a todos o direito a uma educação pública, gratuita e laica. Porém, suas ações não ficaram sem contrariedades, como na situação de divergência com os  Bispos gaúchos, dirigidos pelo Arcebispo de Porto Alegre, Cardeal Dom Vicente Scherer, que defendiam o ensino privado e religioso e se opunham às ideias do Ministro. Anísio, nessa época, é nomeado reitor da Universidade de Brasília. Porém, devido ao golpe militar, tem que exilar-se novamente, dessa vez nos EUA, onde atua como professor visitante em importantes universidades, como a de Colúmbia, Nova York e Califórnia. Terminado o regime, retorna ao país, ligado dessa vez à escrita e à acessoria, produzindo importantes obras para o ensino e a pesquisa educacional. Antes, porém de coroar seu trabalho, ao ser indicado para a Academia Brasileira de Letras, é encontrado misteriosamente morto num elevador. Porém, seu legado, imortal, ficou como uma grande tesouro para o Conhecimento em nosso país e no mundo.
Anísio Teixeira foi um pensador pragmático, que dava muita importância ao ensino prático- “aprender a fazer”, por meio da experimentação e da ação concreta. Uma obra que é reflexo de seu ideal é a Escola Parque de Salvador, onde era dado grande enfoque à qualidade do ensino e que este tivesse reflexo na vida concreta dos estudantes. Foi um grande defensor da reforma e universalização da educação, fazendo com que esta deixasse de ser um privilégio de poucos e passasse a ser um direito de todos. Compreendia que é preciso “aprender a aprender”, para daí, poder ensinar. Defendia que a escola deve ser uma máquina de Democracia e receber a devida atenção do Estado e da sociedade.
Devido ao descompasso de qualidade ocorrido com ampliação dos sistema educacional público, é preciso que se dê um novo incentivo à escola, como lugar de formação da sociedade e do país, garantindo sua adequada manutenção e de seus professores. Somente assim o Brasil poderá se tornar, verdadeiramente, uma Pátria Educadora, onde todos tenham direito ao bem precioso da Educação.
Fernando Silva Campos


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