Universidade: Escola de Transformação
A Universidade é uma instituição
multissecular que, desde sua fundação, tem por princípio a Liberdade e a busca
do Conhecimento. “Ela carrega a herança do passado, suas tradições e conhecimentos,
e os lança ao futuro” (António Nóvoa). Cumpre, ainda, um papel social muito
importante, com a produção de conhecimentos, pesquisas e inovações nos mais
variados campos, auxiliando no progresso e desenvolvimento da sociedade.
Sua história é bem antiga,
remontando à Suméria, Grécia e Índia onde se deram as primeiras fundações com o
objetivo de aprofundar o Conhecimento e formar os jovens para a vidas ocial e
profissional. No Mundo Árabe houve, também, uma grande difusão do Ensino Superior,
com a fundação de centros acadêmicos na Tunísia, Marrocos, Egito e Iraque,
geralmente ligadas a importantes cidades e grandes Mesquitas.
O início oficial da
Universidade Moderna se dá nos séculos XI e XII com a criação da Universidade
de Bolonha, e posteriormente a de Paris, Oxford, Cambridge e outras. As
universidades medievais originaram-se dos Colégios Episcopais e Mosteiros, que
se destacavam, marcando sua estreita relação inicial com a Igreja Católica, que
as dirigia e orientava seu ensino. A formação escolástica se iniciava por dois
ciclos acadêmicos chamados e Trívium e
Quadrívium, que abarcavam matérias
como Retórica, Gramática, Lógica, Música e Astronomia, habilitando os alunos ao
estudo das Artes Liberais ou das especialidades: Medicina e Direito. Em poucos
séculos o ensino universitário se espalhou pela Europa, possibilitando que os
estudantes (principalmente os eclesiásticos) prosseguissem seus estudos em seus
próprios países. Essa foi uma das motivações de criação da Universidade de
Coimbra, solicitada ao Papa, pelo Rei e pelo Clero, a fim de que os jovens portugueses
não precisassem enfrentar longas e perigosas viagens até Paris e outros centros
famosos.
No Renascimento houve uma
inserção progressiva da ciência experimental no ensino universitário e o
desenvolvimento do Humanismo literário e artístico. Houveram, também, grandes avanços na Física, Química e
Biologia, principalmente nos séculos XVII e XVIII. Esse período marcou ainda o
início da ostensiva intervenção do Estado na Universidade, principalmente na
Alemanha e na França (dirigida, esta, por Napoleão que influenciou
profundamente o ensino e a organização educacional francesa, orientando-a para
a profissionalização e a técnica).
Esse período também é significativo
para o Brasil visto que, após séculos de atraso educacional e da controversa
Reforma Pombalina se iniciam as primeiras instituições de ensino superior em
nossas terras. A princípio são criados o Colégio Médico-cirúrgico da Bahia
(1808) e a Academia Real Militar da Corte (Escola Politécnica) (1810), no Rio
de Janeiro. Porém as primeiras universidades, propriamente ditas, só surgem no
século XX, com a USP, a Universidade de Manaus, a Universidade Federal de
Lavras, entre outras. Diferentemente do Brasil, o ensino superior já era uma
realidade nas colônias hispânicas e inglesas, desde seus primórdios, o que
permitiu grande desenvolvimento científico e intelectual a esses países.
No mundo moderno, a Universidade
está estreitamente ligada à sociedade, à economia e particularmente ao meio
militar, industrial e comercial. É, também, uma fonte de Poder, visto que “todo
o saber eficaz é, ao mesmo tempo, Poder” (Ladrière). Ela está inserida em plena
era da Tecnologia e da Informação, precisando estar disposta a oferecer um
retorno satisfatório à sociedade que nela põe suas expectativas.
No ínterim da entrevista do Reitor
da Universidade de Lisboa, António Nóvoa, ao professor Naomar de Almeida Filho
foi discutido como a Universidade Federal do Sul da Bahia pode e deve agir para
tornar-se uma instituição plena e capaz de atender às necessidades da sociedade
contemporânea. Segundo Nóvoa, a Universidade deve respeitar as particularidades
e diversidades regionais, porém não pode fechar-se num restritivismo local.
Deve abrir-se ao Mundo, “ter Mundo”, ter Cultura, ter Conhecimento, ter
Ciência, ter Relação com os outros, “ter Viagem” (Michel Serres). O reitor
lusitano orientou, ainda, para que os
Colégios Universitários não se tornem escolas (no sentido mais pobre do termo),
mas se tornem centros de Conhecimento, centros de Ciência, que deem o mundo a
seus alunos.
No que discorre à história e
organização das Universidades, a professora Andréa Lizabeth enviou-nos alguns
textos de autores como: Marilena Chauí, Boaventura de Sousa Santos e Naomar de
Almeida Filho, entre outros, para que pudéssemos fundamentar nossa pesquisa e
preparar uma aula expositiva sobre a história das Universidades e a UFSB, nas
turmas de 3º Ano e EJA do Centro Educacional Professor Rômulo Galvão (CEPROG).
Para a realização do trabalho, tivemos uma aula disponível, bem como outros
encontros em sala e por Email.
No decurso de nossa aula, além
da exposição oral, apresentamos um mural de imagens (referentes aos diversos
momentos históricos da Universidade), bem como uma dinâmica (para despertar nos
alunos o interesse pelo prosseguimento nos estudos). Concluso o trabalho, consideramos
que os objetivos do trabalho foram alcançados e tivemos um desempenho
satisfatório, apesar de algumas dificuldades, como o desinteresse de alguns
alunos e a dispersão. Porém, o que nos motivava era o interesse dos demais, que
estiveram bem atentos a tudo e nos procuraram ao final para contar suas expectativas.
Por fim, retomar o valor da
instituição universitária para a sociedade é importante para manifestar seu
auxílio no desenvolvimento de um mundo melhor. Devemos usar todo o nosso
conhecimento para o bem comum e assim possibilitarmos uma vida melhor para a
sociedade. Concluo com uma frase muito salutar de Frederico Mayor, Diretor
Geral da UNESCO: “O conhecimento é o poder, mas o poder de criar, de prever e
de evitar. Aplicar este conhecimento para o bem da humanidade é a Sabedoria. Conhecimento
e sabedoria são as duas garantias de um futuro comum melhor”.
Fernando
Silva Campos



Nenhum comentário:
Postar um comentário