sexta-feira, 10 de julho de 2015

A educação como um instrumento de transformção



 A EDUCAÇÃO COMO UM INSTRUMENTO DE TRANSFORMAÇÃO

 





Estudar Paulo Freire é mergulhar no mundo de um brasileiro que viveu e pensou “à frente de seu tempo”. Um homem que, percebendo a realidade do povo, introduziu o Excluído na história e deu voz e vez ao conhecimento popular.
O livro “Pedagogia da Autonomia” e o documentário “Paulo Freire contemporâneo” apresentam um panorama da vida e pensamento desse filho do Nordeste, nascido em 1921, em Recife-Pernambuco. Nas obras, é possível fazer uma viagem pelo universo conceitual do autor, partindo de seu pensamento pedagógico até as aplicações concretas do seu ideal na prática escolar e social.
No pensamento freiriano, ensinar é uma prática que exige um compromisso total do docente. Não se trata apenas de transferir conhecimento ou induzir o discente a decorar conteúdos, mas em torná-lo protagonista da sua própria formação, valorizando seus saberes, sua capacidade e dignidade. É um ato ético, que entendendo o ser humano como um ser capaz e livre lhe atribui a responsabilidade por seus atos.
O homem (entendendo-se homem e mulher), apesar de condicionado pelas diversas circunstâncias da vida, não é um ser determinado, possuindo ,em si, a capacidade de “ser mais” e de mudar sua realidade. Ele não é mero fruto da História, mas, nela se localizando, torna-se sujeito atuante de seu próprio desenvolvimento e o dos outros. Por isso, o discente precisa ser entendido como sujeito do seu próprio aprendizado, capaz de construir, desconstruir e gerar um conhecimento crítico e consistente.
O ato de ensinar exige do educador rigorosidade e criticidade de pensamento, empenho na pesquisa e disposição em estar aberto ao novo, aprendendo ao ensinar e acolhendo o que o estudante lhe ensina em seu aprendizado. É importante, ainda, que o professor possa aproximar-se do mundo do aluno com ética e respeito, a fim de reconhecer sua cultura e todo o conhecimento de mundo que este possui, conhecimento este que precede ao conhecimento da palavra a ser institucionalizada em sala de aula. Cabe ao discente  buscar a competência e segurança necessárias ao exercício do seu magistério, reconhecendo o papel que possui na sociedade e a dimensão política e ideológica de sua função.
Como seres humanos, somos seres inconclusos e a consciência dessa inconclusão é o que nos leva a buscar ir além. Cabe-nos entender que se somos capazes de ensinar é porque nos reconhecemos necessitados de aprender, fato que requer de nós humildade, escuta e diálogo.
No documentário, temos contato, de modo sistemático, com a antropologia e teoria do conhecimento freirianas. Pensando sobre o homem, Paulo  Freire compreende-o como ser curioso e inacabado, incompleto e inconcluso. Um ser de ligação com o mundo e com o outro, numa contínua evolução e transformação. Seu sistema gnosiológico inicia-se pela leitura do mundo, seguida pela tematização das palavras que compõem o universo lexical do alfabetizando, culminando com a problematização da realidade em que este está inserido.
O modelo pedagógico freiriano pode ser aplicado em diversas áreas do conhecimento como: nos círculos de cultura (projeto inovador de alfabetização iniciado no Rio grande do Norte) ,na escola (com propostas de inclusão social, projetos de valorização da cultura e da realidade do estudante), na saúde (com o estudo de casos práticos) ou na ecologia (vida sustentável), entre outros.
Cabe a nós, futuros profissionais, das mais diversas áreas, aproximarmo-nos de pensadores como Paulo Freire, buscando meios que nos ajudem a transformar o mundo em que vivemos, “que é horrível”, numa realidade melhor e portadora de uma esperança viva e transformadora (citando Jean Paul Sartre).

Fernando Silva campos