Uma vida no lixo
Comentário à aula 1
Na primeira aula tivemos a
oportunidade de assistir a dois documentários (“Ilha das flores” e “Boca de
lixo”) e ler o texto “Vista cansada” de Otto Lara Resende. Esse conteúdo nos
apresenta uma triste visão da realidade humana. Os documentários não tratam
apenas de lixo, mas da relação do homem com o lixo, como aquele o produz e, ao
mesmo tempo, a este sobrevive.
A começar pelo texto de Otto
Resende, é possível perceber como as coisas do dia a dia passam despercebidas. O
lugar onde vivemos, as pessoas ao redor e, especialmente, os marginalizados da
sociedade. O Outro acaba tendo pouco valor: o que ele sente, pensa, acredita,
deseja, simplesmente não nos diz nada.
Os documentários apresentam
perspectivas que de algum modo se ligam. No primeiro, o homem é apresentado
como uma máquina (telencéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor) que
produz o lixo e é destruído por ele. O segundo mostra homens e mulheres que
sobrevivem ao lixo e reconstroem um pouco do que é ser humano: pelo trabalho
(que lhes resgata a dignidade), suas famílias, a música etc. Estão subjugados a
uma estrutura de poder que se sustenta no lixo mas, apesar disso, conseguem
sobreviver.
Numa perspectiva de saúde,
muitos são os problemas que podem ser adquiridos nesses lugares como:
intoxicação alimentar, doenças infectocontagiosas, bactérias altamente nocivas,
contaminação por lixo hospitalar, inalação dos miasmas (gases exalados), exposição
excessiva ao sol e fumaça, entre muitos outros.
O conteúdo apresentado é um
forte apelo para que essa situação não continue mais. Entre outras medidas,
pode-se propor a construção de aterros sanitários adequados, coleta seletiva
eficiente, formação de cooperativas de catadores e, principalmente, a
conscientização da população em produzir menos lixo e descartá-lo em local apropriado.
Assim poderemos esperar melhores condições para quem depende desse trabalho e
um menor impacto sobre o meio ambiente.
Fernando Silva Campos

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